Crônicas da campanha de tormenta

Capítulo um

Um grupo nada em comum


Vilarejo de Durtas

Após cavalgar durante dois longos dias desde a cidadela portuária de Calacala, no reino de Tapista (A terra dos Minotauros) o Elfo Kundhallinny Sckant, finalmente alcançou o vilarejo de Durtas, que alias era o único vilarejo humano do reino todo, não à toa que ficava também próximo a sua fronteira com o Rio dos Deuses e o restante do Reinado. A terra dos Minotauros, não é um lugar aconselhável para humanos ou semi-Humanos, as leis são severas e muitas vezes injustas, Principalmente com os Elfos, que não são considerados nem como cidadãos. A única raça semi-humana que os minotauros tratam como seus iguais são os anões.
Durtas porem tinha leis mais brandas, foi construída em um vale próximo a comunidade minotaura de FOZ (uma cidadela minotaura sem lei) para abrigar viajantes humanos que vinham até o Reino tratar de negócios ou atrás de aventuras, a vila em si possuía apenas cinco ou seis casas, três Estalagens, uma taverna e uma loja de Equipamentos para viagens, era circundada por uma pequena cerca viva, que mais servia como um jardim do que como muro, a guarnição do vilarejo era feita por minotauros sempre armados e com vigilância constante em seus “cidadãos de segunda categoria”.
Kundhallinny, entretanto não viajou até terras tão inóspitas por negócios ou aventuras. Ele é um mago, Recém formado na Academia Arcana de Valkaria, e como quase todo mago, suas viagens, conquistas e estudos, são sempre baseadas na busca de magia e poder!Nos últimos seis meses ele veio pesquisando a lenda sobre “O rubi da virtude” que poderia dar a um mortal o poder mágico até de um deus, e se a informação dada pelo Helladarion (sumo-Sacerdote de Tanna-Toh, a Deusa do conhecimento) estiver correta ele encontrará o rubi ainda hoje nestas Terras.
Deslizou a mão sobre a crina do cavalo pediu em leve sussurro Elfico para que o cavalo continuasse a decida pelo vale. __Vamos meu amigo.
O cavalo deu alguns trotes na depressão que se formava no alto do vale e então começou sua descida até o vilarejo, do alto era possível notar a floresta de Naria que circundava toda a região, podia avistar também um grande bosque cercado de carvalhos imensos a qual os nativos chamam de o bosque de Allihanna (a deusa da natureza), sentiu a brisa do vento bater em seu rosto, já tinha passado da hora do almoço e Kundhallinny não via a hora de se alimentar e descansar um pouco de sua longa viagem.
__Banho quente e frutas silvestres. ___Disse consigo mesmo ___É disso de que preciso.
 Ajeitou seu arco longo em suas costas e o manto Elfico sobre a bainha de sua espada curta e de sua aljava de flechas que também levava na cintura, junto com seu grimôrie que continha suas magias e os encantamentos que levaram anos de sua longa vida para aprendê-los e usa-los.
Rapidamente alcançaram Durtas que tinha em sua entrada um grande arco de pedra com runas na linguagem dos anões que dizia:

“Que os bons deuses abençoem aquele que vem em paz”


Mal atravessava o arco de pedra que servia de entrada para a vila, e um minotauro já se aproximava alto com um porte físico de um soldado, sua cabeça lembrava a de um touro, era escura e possuía olhos levemente avermelhados e seus dois chifres pareciam estarem bem polidos tanto que chegava a brilhar, ele usava uma loriga segmentada como armadura e trazia consigo uma espada longa na cintura e uma lança em sua mão esquerda. Aproximou-se com um som oco e pesado de seus cascos, e foi logo perguntando em alto bom tom:
__ALTO!!!  QUEM SE APROXIMA?!?
Kundhallinny tentou esconder suas orelhas pontiagudas (símbolo de sua linhagem Élfica) com seus cabelos que alias possuía um tom levemente azulado.
__Apenas um viajante – respondeu o elfo.__O que acontece com esta terra? Sou interrogado a cada cidade ou vila em que passo.
__São as suas roupas forasteiro.__Respondeu ríspido o minotauro.__Não sabe? Magos e feiticeiros não são bem vindos em nossa terra.
__Minotauros tem medo de magia?
__Minotauros não temem a nada, só que não gostamos de sua raça, portanto saiba que não é bem vindo!
__Creio que nenhum não-minotauro também seja.
__Como disse?!?
__Nada, nada, apenas pensei alto, posso entrar agora?
__pode passar, mas ficarei de olho em você... Forasteiro.
O minotauro observou os estranhos olhos de Kundhallinny e resmungou algumas palavras enquanto o elfo adentrava a vila:
__Malditos feiticeiros... Arruaceiros...
Kundhallinny continuou a cavalgar ignorando os comentários do minotauro, este por sua vez, ficou observando o elfo junto com outro soldado, um arqueiro minotauro que chegara ao lado do primeiro.
__Fique de olhos bem abertos, Tarkan.__Disse o soldado para o arqueiro.__Vai ter festa esta noite entre os humanos, e você sabe que não pode haver brigas ou confusões nesta província. Caso contrario, o alto comando do reino manda cortar nossas cabeças.
Os dois se entreolharam e o arqueiro retornou para seu posto no alto da torre e o soldado permaneceu ali em sua constante vigilância. Era um fato que minotauros tinham medo de altura, mesmo estando a metros do chão, a maioria já sente tonturas e náuseas devidas talvez ao parentesco com animais terrestres que geralmente nunca deixam o solo. No caso de Tarkan, não era diferente, ele sentia uma tremedeira terrível nos cascos toda vez que tinha que subir na torre de vigia, mesmo que fossem apenas uns cinco metros de altura, para o Minotauro, era como estar no alto de uma torre se equilibrando em uma corda. Respirou fundo e concentrou-se no trabalho para tentar esquecer o medo.

 Kundhallinny observava agora o vilarejo de Durtas, tinha acabado de ouvir a conversa dos dois minotauros, Elfos podem ouvir e ate ver ao longe muito mais que um humano, è por isso que dizem que “não há melhor espião do que um espião Elfo!”. Portanto sabia que hoje haveria uma festa na cidade e se alegrou com isso.
__Nada melhor que uma boa festa para descansar da viagem.__Pensou consigo. A claro, o solstício da primavera, os humanos a comemoram, pois marca a dada da colonização humana em Arton.
Foi cavalgando pela vila em direção a uma grande Estalagem o “HÓSPEDE de TAURON” pelo caminho notou o alvoroço de algumas pessoas para montar um palco de madeira no centro da vila, viu alguns homens arrumando mesas e uns três bardos de roupas vermelhas, verde e azul respectivamente afiando seus instrumentos notou alguns homens ajeitando uma grande fogueira e outros papeando e fumando próximo a taverna. Entretanto não notou a presença de nenhuma mulher em toda a vila. É fato que em Tapista existe escravidão e que as mulheres no reino minotauro sirvam apenas como escravas, não existem minotauros do sexo feminino, portanto mulheres humanas servem os haréns dos minotauros em toda a extensão do reino. Então não era à toa que Kundhallinny via apenas homens, anões, dois halflings e um troglodita.
__Troglodita?!__Disse Kundhallinny em voz alta sem perceber. Pois era fato que trogloditas eram grandes lagartos selvagens e só viviam em cavernas, saindo somente durante a noite para caçarem. Era realmente muito estranho ver um em plena luz do dia e ainda mais em uma vila humana no reino dos minotauros!
   Chegou até a entrada da Estalagem, saltou do cavalo o amarrou em uma das colunas que sustentavam o beiral do estabelecimento, arrumou suas vestes e em seguida desamarrou sua mochila da cela do cavalo, porém,antes de entrar na Estalagem decidiu olhar mais uma vez para o curioso troglodita que estava do outro lado da rua, quando olhou, Kundhallinny tomou um susto, mas não demonstrou isso afinal sua natureza élfica não permitia, mas o troglodita estava olhando diretamente para o elfo, encarando-o.
   Kundhallinny notou que o troglodita estava com um pé escorado à parede de madeira da taverna e se apoiando no outro, seus braços estavam cruzados e portava em uma das mãos um garrafão com algum líquido de tom avermelhado, sua face reptiliana estava virada diretamente para o elfo e encarando com seus olhos verde-amarelados, usava também um corselete de couro com ombreiras de metal como se fosse um guerreiro humano, portava uma mochila de couro em suas costas, que parecia estar carregada, tinha em sua cintura uma algibeira, uma machadinha, cantil e uma espada bastarda também chamada de espada bárbara, ou seja, uma arma bastante exótica ainda mais no reino de Tapista.
__Hunf... Elfos!__Logo pensou o troglodita. Podia sentir e farejar os tipos diferentes de odores a certa distancia e logo percebeu que o viajante não fedia como um humano, ele tinha um odor diferente, suave, mas não como o de uma mulher, apenas diferente.
O troglodita virou sua face em direção ao grande palco no cento da vila como quem quisesse disfarçar, tinha arrumado briga em outros lugares e chegou muitas vezes a ser preso por causa de situações parecidas e não lhe pareceu ser boa idéia começar briga novamente. Afinal não era um bêbado de taverna que se encontrava a sua frente e sim um elfo e pelas roupas também um mago, notou que possuía o rosto afilado encoberto por seus longos cabelos levemente azulados, seus olhos era o que havia de mais estranho, era amarelos como os olhos de um gato ou um felino qualquer, talvez o elfo fosse de Collen o reino onde as pessoas nascem com olhos esquisitos. Observou seu roube acinzentado encoberto pelo manto azul escuro com adornos em dourados, botas com adornos na língua élfica, uma espada curta na cintura ao lado de um grosso livro de capa dura, luvas e um arco em suas costas junto com a mochila.
__Hunf.__grunhiu o troglodita.___É realmente um maldito mago elfo. Que morram no reino de tenebra (a deusa das trevas) com seus encantos e maldições.
Virou-se em direção a multidão e entrou na taverna mais próxima arrastando sua calda pelo chão e ignorando o elfo que acabara de encará-lo. Kundhallinny deu com os ombros e entrou na Estalagem.
 

****


 Próximo de durtas, seguindo pela estrada que corta a floresta de Naria rumo ao litoral, caminha um homem, seus passos são lentos e seu rosto é encoberto por um capuz, traz em uma das mãos uma grande foice de lamina negra e na outra carrega uma mochila de couro com um pequeno pingente pendurado em uma das alças, está vestindo trajes clericais, mas não como usam os sacerdotes de valkaria ou Lena e sim um traje negro e longo que se arrasta pela estrada empoeirada de terra batida, seus pés calça sandálias típicas de um sacerdote, porém um sacerdote diferente, um sacerdote negro!Os sacerdotes negros são clérigos de LEEN o deus da morte!
Estes clérigos se reúnem em pequenas e restritas sociedades secretas para praticar rituais de tortura, flagelação e sacrifícios humanos. Outrora raros estes sacerdotes diabólicos estão se espalhando – um numero cada vez maior de relatos sobre suas atividades chega de vários pontos do reinado.
Entretanto, ser um sacerdote de leen não e assim tão fácil. Durante seu treinamento, o candidato deve realizar tarefas muito perigosas e tolerar muita dor. Agonia e sofrimento são companheiros fieis destes clérigos sinistros. Todos trazem o corpo repleto de cicatrizes, resultado de muitos anos de autoflagelação.
A única arma permitida para os clérigos de leen é a foice. Essa arma é também o símbolo sagrado deste deus.

O Sacerdote segue pela estrada até chegar à borda do vale onde se localiza Durtas, deste ponto ele observa toda a vila e suas redondezas.
__Obrigado grande Leen por esta abençoada viagem.__Ora em tom baixo o sacerdote.
De repente sons de passos apressados seguidos por um farfalhar de folhas secas surgem na floresta à margem da estrada.__Sacerdote... Espere sacerdote..!__Diz uma misteriosa voz que surge acompanhada pelos apressados passos.
O sacerdote observa o ser que surge da mata um tanto surpreso, era o mercador Humano que havia lhe oferecido carona pela estrada em uma carroça de mercadorias do sul, entretanto no meio da viagem eles foram emboscados por um grupo de Gnol’s, uma raça bárbara que apresenta traços de hienas humanóides.
O ataque repentino matou o cavalo que puxava a carroça e a fez despencar pela encosta da floresta. O sacerdote havia matado os três Gnol’s, mas não havia reparado se o sujo, rasgado e ferido mercador estava também morto, Lembrara apenas de amaldiçoar o local pegar suas coisas e seguir a viagem.
Era uma surpresa o mercador estar vivo e ainda telo seguido até aqui!__Provavelmente quer ser reembolsado de alguma maneira, e quem melhor para pedir ajuda se não um clérigo.__Pensou consigo o sacerdote negro!
__Espere senhor.__Disse o mercador assim que saiu da estrada. Suas roupas estavam rasgadas e sujas de terra e sangue, havia um corte feio em sua testa que fazia seu rosto ficar manchado pelo sangue que escorria.
__O que quer?__Respondeu secamente o clérigo.__Não tenho culpa de nosso acidente.
__Claro que não... Sei que foi obra dos Gnol’s eu queria apenas agradecer por ter me salvado!__Respondeu o mercador, sua voz estava ofegante e ele se aproximou do clérigo com certa dificuldade.
__Agradecimento aceito!__Respondeu o clérigo.
Logo em seguida jogou seu manto negro para traz e começou a descida em direção a Durtas.
__Espere!__Gritou o mercador.__ Eu lhe devo minha vida!
O sacerdote parou e se virou para o mercador. A vida é o maior dom da humanidade e também a maior oferenda aos deuses, principalmente para os sacerdotes de Leen.__Pois então irei tomá-la.
__Seguirei com o senhor!__responde o mercador
__Posso apenas oferecer minha benção.__Responde o clérigo com um sorriso sarcástico
__Que assim seja.
__Então ajoelhasse!__Ordena o sacerdote.
O mercador se ajoelha com uma das pernas e apóia os braços na outra une suas duas mãos e entoa uma pequena canção aos bons deuses.
O sacerdote retira sua foice e observa o mercador com repugnância, pois este nem conhece o deus da morte e muito menos seu sacerdote ou jamais faria o que esta fazendo agora. Ele levanta sua foice um pouco acima da cabeça do mercador.__Receba a benção do deus da morte!
__Morte?!__Responde o mercador assustado, instintivamente ele se levanta, mas nesse momento o sacerdote desse a sua foice de forma violenta e atravessa o peito do mercador com a lamina negra. O sacerdote ainda puxa a gola da camisa do mercador fincando ainda mais a arma maldita no corpo do homem até ele se estrebuchar.__Esta é a benção do senhor dos mortos!__Responde o clérigo com uma gargalhada sarcástica e sombria enquanto retira sua foice no corpo do mercador e limpa o sangue nas roupas dele.
O clérigo arrasta o corpo do mercador e o esconde nas moitas da floresta, neste instante ele houve trotes de cavalos se aproximando e vê ao longe a poeira na estrada que se aproxima rapidamente o clérigo começa a descer o vale em direção a Durtas, tropeça em algumas pedras no meio do caminho e corre o mais rápido que pode em direção ao vilarejo. Assim que se aproxima o clérigo nota as altas casas que compõem a vila, a grande movimentação de pessoas e o grande minotauro de armadura que vem em sua direção com uma grande lança em uma das mãos e a outra levantada.
__ALTO!__Grita o minotauro ao clérigo que se aproxima correndo.__O que é essa foice manchada de sangue?Não sabe que é proibido caçar na floresta de Naria?
__Tropas se aproximam montados em cavalos!__Responde o clérigo fingindo espanto e não ter ouvido as palavras do minotauro, pois em seu intuito ele sabe que se trata de humanos que se aproximam, pois minotauros não cavalgam, acham um absurdo montar em cavalos quando se tem a própria pata para correr. E humanos cavalgando em Tapista é pior que caçar na floresta de Naria.
__Tropas montadas?Quer dizer tropas humanas em tapista?__Se indaga o minotauro.__Isso é um absurdo! Elfos, mágicos, sacerdotes, trogloditas e agora tropas humanas?!Esta é a terra dos minotauros e isto é intolerável, está mais do que na hora dessa província humana deixar de existir em nosso glorioso reino!
__Cuidado com as palavras.__Responde o sacerdote. Mas nesse momento o grande soldado minotauro já não dava mais atenção ao clérigo, pois uma poeira se levantava acima do vale de Durtas e homens armados montados em cavalos de guerra desciam rapidamente em direção a vila.
__Tarkan!Tarkan!__Gritou o soldado para o arqueiro minotauro no alto da torre. Este por sua vez já tinha uma flecha preparada em seu arco longo. Os dois ficaram imóveis apenas observando a cavalaria que se aproximava.
O clérigo observou a cavalaria junto com os minotauros, quando de repente sentiu uma estranha força mística no ar algo como uma aura bondosa que trazia paz no coração de todos os seres, entretanto causa uma terrível rebuça ao sacerdote negro.
__Paladinos!__Disse o clérigo para si mesmo enquanto dava alguns passos para traz e ia se escondendo no meio da multidão que formava no centro do vilarejo até as sombras das casas altas o cobrirem e ele desaparecer da visão dos minotauros e de todos ao seu redor.


__Alto!__grita mais uma vez o soldado minotauro. E sem se intimidar ele se aproxima dos sete homens montados, todos eles trajando armaduras de batalha com escudos em seus braços esquerdos e espadas e lanças em suas costas cada homem esta montado em um grande cavalo de guerra, mostram todos o símbolo da espada cruzada com a balança em seus escudos e peitorais, símbolo este da “Ordem dos cavaleiros de Khalmyr”.
O minotauro se aproxima do único cavaleiro de capa.__Você é o líder?
__Sim, sou o comandante Kalanis Lâmina Divina, líder deste grupo de recém-cavaleiros da ordem de Khalmyr.
__Khalmyr? O deus da justiça?
__Exato.__Responde o imponente cavaleiro.__Estamos em uma missão e precisamos descansar um pouco, tenho comigo uma autorização que permite nosso trajeto em vosso reino.
O minotauro olha com desconfiança para todo o grupo, em seguida levanta sua mão direita, fazendo um gesto para que Tarkan não ataque. O minotauro arqueiro abaixa seu arco porem ainda fica atento ao menor movimento de um dos cavaleiros humanos.
__O que uma cavalaria humana faz no reino de Tapista?__Pergunta o soldado minotauro.__Esse reino é protegido por Tauron o Deus dos minotauros, seu deus não tem poder aqui!
__Errado!__Protesta um dos cavaleiros.__Khalmyr esta em toda parte e em...
__Basta!Paladino Forge!__Brada Kalanis para seu cavaleiro.__Não viemos de tão longe para discutirmos religião. O comandante se volta novamente para o soldado minotauro.__Perdoe-o sabe com são os paladinos.
__Paladinos!__Brada o minotauro.__Os cavaleiros sagrados que servem aos deuses?Bom... Neste caso podem entrar, traz má sorte ofender um servo dos deuses.
O minotauro recua dois passos e se encosta a um dos pilares de pedra que forma o arco de entrada à vila.
__Obrigado.__Agradece Kalanis de forma gentil ao minotauro, e prossegue junto com seus cavaleiros para adentro de Durtas.
A entrada dos sete cavaleiros no vilarejo chama a atenção de todos no local, homens que estavam trabalhando no palco e carregadores param seus serviços e até os bardos param de afinar seus instrumentos para verem a imponente cavalaria.
 Kundhallinny que observava tudo da janela de seu quarto se questionava a respeito da presença de cavaleiros em uma terra de minotauros, mas o que chamou a atenção do elfo em particular era que um dos cavaleiros, na verdade o maior entre todos eles emanava uma aura mística que apenas usuários de magia podiam sentir. Os sete prostram seus cavalos em frente à Estalagem “Hospede de Tauron” onde surgem dois garotos dispostos a amarrar os cavalos e cuidar deles por alguns tibares de prata.
Kalanis e os demais cavaleiros desmontam e retiram de suas montarias, mochilas e seus equipamentos. O alto líder chama dois de seus cavaleiros.
__Artrin e Misak.__Os dois mais jovens entre o grupo se aproximam de Kalanis.__Entrem na Estalagem e reserve quartos para todo o grupo, nos encontre na taverna.
__Sim senhor!__Respondem respectivamente e adentram a Estalagem.
__Enquanto ao restante, venham comigo, precisamos de provisões para nossa viagem.
Os cinco homens armados atravessam o centro de Durtas em direção a taverna. No caminho são recebidos pelos olhares curiosos da população local, eles percebem também o grande alvoroço de caixas e preparativos para um eventual festejo.
Ao chegarem à porta da taverna Kalanis se volta mais uma vez para um de seus cavaleiros desta vez para Forge Wycran o único paladino do grupo e também maior guerreiro ali presente. Forge era um gigante para seus irmãos de cavalaria.
__Forge.__Diz Kalanis.__Descubra o que esta acontecendo, que tipo de festejo haverá hoje.__Kalanis faz uma pausa e depois prossegue em um tom mais baixo.__Encontre um líder local entre os humanos... Alguém que seja respeitado por todos desta vila e não temido como são os minotauros. Ele vira as costas e entra na taverna com o restante dos cavaleiros.
Forge começa a passear pelo local observando as altas casas e seus residentes, nota as crianças sentadas na janela que admiram sua armadura, um elfo de cabelos azulados que o encara de uma das janelas da Hospedaria, homens que trabalham no local do palco e outros que cuidam da armação de uma grande fogueira, mas não consegue ver ninguém dando ordens ou apenas gerenciando os preparativos, com exceção do elfo.Forge encara-o mais uma vez no alto da janela, mas neste momento uma criatura reptiliana se esbarra com o paladino.          
__Troglodita!?__assusta-se Forge com a visão do troglodita com vestimentas humanas. Instintivamente o paladino desembainha sua espada o que faz com que todos parem seus serviços para ver a briga que com certeza iria começar. Afinal aquele não era nenhum troglodita qualquer era Lonir “o mercenário devorador de tripas!”.__Hunf... Funga o troglodita. Meu nome é Lonir, troglodita é só a raça.
__Sei muito bem trog... Digo senhor Lonir.__Respondeu Forge. Mas naquele instante o simples fato do paladino ter chamado o troglodita de “senhor” causou em todos que estavam à volta um ataque de gargalhadas que fez Forge se enrubescer. Até mesmo Lonir riu.
__Faz tempo que não sou chamado de senhor, mas guarde seus bons modos... Afinal não existe respeito em uma luta de rua. Enfiando sua garra na cintura, Lonir desembainha sua espada e a aponta para o paladino.
__Luta!Não... Espere!__Responde Forge. Eu não quero lutar contra você.
__Você desembainhou sua arma primeiro cavaleiro. Achei que queria lutar. Aposto dez tibares de ouro como te derrubo sem usar minhas armas!
__Oh não... Ele vai usar o gás!__Grita um dos homens de cima do palco. Referindo-se ao terrível gás fétido que exala do corpo dos trogloditas e que paralisam suas vítimas ou as faz desmaiar tamanho é o fedo!
Neste instante todos se afastam um pouco e formam uma grande roda em volta dos dois, alguns começam a fazer suas apostas e quase todos olham com desdém ou debocham do cavaleiro.
Forge estufa seu peito e olha para o troglodita que o desafia. Arruma seu escudo de modo que a luz do sol do entardecer ilumina o símbolo da espada atravessada com a balança, o símbolo de Khalmyr o Deus da justiça. Símbolo este que ele mantinha com um orgulho inquestionável e tinha o braço e a habilidade necessários para defender esse orgulho. Embora as pessoas na vila não tirassem os olhos dele, ninguém, depois de dar uma olhada nos olhos frios e calmos do cavaleiro, ousou debochar ou fazer um comentário de menosprezo.
Os dois se encararam por um tempo. Forge guarda sua espada. É uma luta desnecessária.__Diz o paladino por fim.   
__Alto!!!__Berra o soldado minotauro assim que se aproxima da roda de pessoas e abre caminho para ver o que estava acontecendo. Eu sabia!Tinha que ser o troglodita. Começando briga de novo?Talvez alguns dias na prisão resolvam esse temperamento arruaceiro!__Grita zangado o minotauro ao ver que Lonir esta com a espada apontada para o cavaleiro que tem suas armas embainhadas.
O troglodita guarda sua arma.__Hunf... Tenebra que me carregue, hoje não é meu dia.__Resmunga Lonir consigo mesmo enquanto é levado pelo soldado minotauro.
__Que khalmyr cumpra sua justiça.__Proferiu Forge...
Todos os homens voltam aos seus afazeres, Forge ainda ficou um tempo caminhando pela vila fazendo sua oração silenciosa enquanto cumpria a ordem de seu comandante, até que a escuridão noturna tomou conta de Durtas e o céu de Tapista foi encoberto pelas estrelas e pelo brilho da lua de Tenebra.